terça-feira, 29 de junho de 2010

Alexandre Ivo é símbolo de um Congresso que teima em não olhar eqüanimamente para todos, diz senadora


Íntegra do discurso da senadora Fátima Cleide (PT-RO), feito no Senado nesta terça-feira (29/06):
A SRª FÁTIMA CLEIDE (Bloco/PT – RO) – (...) Srª Presidenta, o que me traz a tribuna neste dia de hoje, dia 29 de junho, é a lembrança do dia de ontem, 28 de junho, quando foi celebrado um importante marco na luta pelos direitos humanos no mundo. Esta data relembra os fatos ocorridos em 1969, na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, quando cidadãos enfrentaram a polícia, que à época adentrava constantemente o bar Stonewall para
para discriminar, torturar e prender, arbitrariamente, os seus frequentadores, que em sua maioria eram gays, lésbicas e travestis.
Em razão dessa data, surgem as marchas que conhecemos como as Paradas do Orgulho Gay. A partir de então, a comunidade LGBT não mais aceitaria calada toda sorte de preconceito, discriminação e violência. E, a partir dessa data, estabeleceu-se o Dia Internacional do Orgulho Gay.
Passados mais de 40 anos, muito ainda há a ser feito, Srª Presidenta. Seguramente há avanços. Sociedades machistas como as latino-americanas começam a implementar políticas públicas de combate à homofobia e promoção da cidadania LGBT. Recentemente, o Presidente Lula, corajosamente, assinou decreto que instituiu o dia 17 de maio como o Dia Nacional de Combate à Homofobia. Entretanto, o número de crimes de ódio contra essa comunidade ainda é assustador. No Brasil, segundo os dados do Grupo Gay da Bahia, a cada dois dias um LGBT é assassinado em razão da homofobia.
Infelizmente, Srª Presidenta, na segunda-feira da semana passada, mais um bárbaro crime entrou para essa triste estatística. Falo do assassinato de Alexandre Thomé Ivo Rojão, um adolescente de apenas 14 anos. Foi espancado a pau, pedras, barras de ferro, enforcado com a própria camiseta e deixado em um terreno baldio na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Srªs e Srs. Senadores, Srª Presidenta, em maioria aqui nesta Casa, somos pais, mães, avôs, avós.
Imaginem a dor da família, a dor da dona Angélica, com a qual eu falei hoje, Senador Geraldo Mesquita, a dor de uma mãe que hoje não pode comemorar o aniversário da filha que lhe restou, que completa, no dia de hoje, 29 de junho, 16 anos. O Alexandre iria completar 15 anos no dia 30 de novembro de 2010. Mesmo assim, eu venho aqui me solidarizar e prestar meus pêsames. Eu imagino a dor dessa mãe ao ter de reconhecer o rosto desfigurado do filho, uma criança, um menino ainda, que poderia até um dia estar aqui, nesta tribuna ou neste plenário, repetindo os ditos de sua mãe...
– “...a gente tem de ser livre... As pessoas têm o direito de ir e vir. Não interessa se gosta de vermelho, se eu gosto de laranja e ele gosta de branco.” Essas foram as palavras da dona Angélica.
Pois é, simples assim, um clássico exemplo de respeito à diversidade, mas, infelizmente, nós nunca veremos o Alexandre por aqui. Isso nunca ocorrerá, pois ele não terá a oportunidade que nós tivemos. Sua vida foi ceifada, brutalmente, assassinado por um grupo de rapazes, supostamente skinheads.
Esse é mais um caso de um jovem gay brasileiro que entra para a história só porque era dito “diferente” e que teve seu espaço, sua vida tirada por aqueles que seguem os ensinamentos dos que acham que este mundo é lugar para poucos, onde a diversidade não tem lugar.
Srª Presidente, não podemos mais permitir essa barbárie. Temos o dever moral, ético e constitucional de tomar providências. Mais uma vez, conclamo este Senado a aprovarmos o PL nº 122, de 2006, de autoria da Deputada Iara Bernardes, que pretende inserir os termos orientação sexual e identidade de gênero na Lei nº 7.716, mais conhecida como a Lei da Criminalização do Racismo.
O Sr. Geraldo Mesquita Júnior (PMDB – AC) – Senadora Fátima Cleide, V. Exª me permite um aparte?
A SRª FÁTIMA CLEIDE (Bloco/PT – RO) – Eu estou falando para uma comunicação inadiável, Senador Geraldo, mas eu ouço...
O Sr. Geraldo Mesquita Júnior (PMDB – AC) – Mas eu tenho certeza de que a Senadora Serys Slhessarenko irá permitir porque essa é uma questão que aflige não só V. Exª.
A SRª FÁTIMA CLEIDE (Bloco/PT – RO) – Com certeza.
O Sr. Geraldo Mesquita Júnior (PMDB – AC) – Eu quero me somar inclusive ao seu lamento. E é de se perguntar ou se afirmar: mas o Congresso Nacional não tem nada com isso. Tem sim, Senadora Fátima. Tem sim. Talvez, sejamos cúmplices desse assassinato de um jovem homossexual no País, pela omissão do Congresso Nacional.
A SRª FÁTIMA CLEIDE (Bloco/PT – RO) – Pela omissão.
O Sr. Geraldo Mesquita Júnior (PMDB – AC) – Por pura omissão. Eu sou testemunha do esforço de V. Exª em tentar aprovar aqui uma legislação que, quando nada, assustasse um pouco esse marginais, essas pessoas que acham que podem tirar a vida de um outro ser humano simplesmente porque ele tem uma opção sexual diferente da sua. É um crime com terríveis agravantes. E o Congresso Nacional é cúmplice desse assassinato pela omissão. Aqui nós nos negamos a apreciar e aprovar um texto de lei que pune, que assusta esses meliantes, esses assassinos, essas pessoas cruéis. Portanto, quero me juntar ao seu lamento. Lastimo imensamente que mais uma pessoa neste País seja vítima do preconceito, da discriminação e do ódio irracional que pode chegar à cabeça de um ser humano para tirar a vida de um outro ser humano de forma tão brutal.
A SRª FÁTIMA CLEIDE (Bloco/PT – RO) – Eu agradeço e quero que as suas palavras, Senador Geraldo Mesquita, façam parte de meu pronunciamento. E também aqui sou testemunha do seu esforço, do esforço da Senadora Serys também de estar junto conosco nesta luta pela aprovação do PL nº 122.
Lamento que no dia de hoje que não vejamos nas manchetes dos jornais nenhuma grande notícia a respeito da morte desta criança, com 14 anos de idade, Senadora Serys Slhessarenko, poderia ser seu neto, poderia ser meu filho. Todas nós estamos hoje, nós que temos filhos e neto, podemos a qualquer momento... Claro que poderemos perder um filho pela violência comum, mas esse garoto teve muita coragem aos 14 anos de idade assumiu a sua orientação sexual e ele morreu por isso. E a nenhum cidadão deste País é dado o direito de tirar a vida de uma pessoa por conta da sua identidade de gênero ou da sua orientação sexual. E nós não podemos, como disse V. Exª aqui Senador Geraldo, ficar omissos diante disto. Como membro da Frente Parlamentar em defesa da criança e do adolescente e como uma das coordenadoras da Frente Parlamentar e da Cidadania LGVBT eu estarei aqui
eu estarei aqui acompanhando este caso e lembrando que este caso não pode se tornar apenas um símbolo ou apenas mais um número, tem que ser feita justiça para esta criança, para esta mãe que hoje clama por justiça e que pede que nós Senadores tenhamos a coragem de ajudá-la. E eu queria ver aquelas pessoas que aqui falam tão constantemente e tão emocionalmente contra o PLC 122, eu gostaria de vê-las aqui, pelo menos se solidarizando com esta mãe e pelo menos dizendo que seu coração se toca diante da dor de milhares de mães e de pais neste país. Nos acusam, Senador Geraldo, de sermos contra as famílias. E estas famílias que perdem seu filhos diuturnamente neste país? Quem cuida da dor deles?
Eu queria dizer, para finalizar, que conto com o apoio do Senado Federal para que a gente possa fazer com que a indignação que nos move vire política pública, para que a gente aprove, que a gente tenha a coragem de aprovar o PLC 122. Uma pesquisa recente da UnB, Senador Roberto Cavalcanti, constatou que nos 25 livros que são destinados ao Ensino Religioso neste país nós encontramos discriminação e preconceito de duas formas: contra as outras religiões que não são cristãs, eu sou cristã, mas nosso estado é laico, e nós não podemos estar dentro das escolas com um material escolar incitando o preconceito com relação a outras religiões.
E também nessa pesquisa se constatou o preconceito contra a orientação sexual e identidade de gênero, falando, inclusive, textos desses livros que ser gay é doença. Isso já foi há vinte anos descartado pela Organização Mundial de Saúde. O Conselho Federal de Psicologia todos os dias tem uma luta cotidiana para também desmistificar essa questão da doença do homossexualismo. Homossexualismo é um termo que não existe mais a partir da retirada deste termo do catálogo de doenças da Organização Mundial de Saúde há vinte anos.
Portanto, senadora, para finalizar, chocada com todas essas constatações, eu fico pensando: como que nós podemos transformar nossa sociedade num espaço de convívio mais harmônico e digno para todos e todas? A educação tem papel fundamental nesse processo.
Portanto, eu solicito desse Plenário que o Ministério da Educação e a Secretaria Especial de Direitos Humanos tomem providências urgentes com relação a essas publicações, pois estão sendo violados dois direitos constitucionais: o da liberdade religiosa e de crença e o da discriminação e preconceito, por outro lado.
Para finalizar, gostaria de louvar e saudar a todos e todas que lutam pela garantia e promoção da diversidade. Uso aqui como símbolo o Dia do Orgulho Gay, que tem como bandeira o arco-íris, que, por si só, já nos mostra que não há uma só cor, não só um tipo de ser humano, não há uma única forma de viver em sociedade. Somos diferentes, sim, não só em nossas orientações sexuais e identidade de gênero; somos diferentes em quase tudo. Mas há algo fundamental
Mas há algo fundamental que une os defensores e defensoras dos direitos humanos: o entendimento de que a luta por uma sociedade que respeita, valoriza e admira as diversidades torna melhores e mais bonitos os caminhos que o povo brasileiro pode traçar.
É nisso que eu acredito. É isso que me faz levantar todos os dias, de cabeça erguida, para trabalhar e ajudar a construir um Brasil melhor para todos e todas. Alexandre Ivo, de quatorze anos, com toda a tristeza e indignação de sua partida, seu nome entra para os anais desta Casa como um símbolo de um Congresso que teima em não olhar eqüanimamente para todos os brasileiros e brasileiras.
Com tristeza e pesar, era o que eu tinha a dizer.
Muito obrigada, Senadora Serys. Muito obrigado, Senador Roberto Cavalcanti.
A SR. PRESIDENTE (Serys Slhessarenko. Bloco/PT - MT) – Obrigada, Senadora Fátima Cleide. Realmente esse é o discurso que todos nós temos consciência que se faz necessário não só como discurso, mas como postura de todos nós, aqui neste Parlamento.
Nós compomos, junto com a Senhora, a Frente Parlamentar pelo Fim da Homofobia. E eu diria que todo cidadão brasileiro, homens e mulheres, têm de ter essa consciência. Nenhum motivo existe para que se tire a vida, e, muito menos, a questão da opção sexual.
Com a palavra, pela inscrição, Senador Roberto Cavalcanti.

domingo, 9 de maio de 2010

Revista Veja traz reportagem de capa sobre jovens Gays

Revista Veja traz reportagem de capa sobre jovens Gays: "
A Revista Veja dessa semana, edição número 2164, traz uma extensa reportagem com o título: 'Ser jovem e Gay, a Vida sem Dramas', sobre a juventude Homossexual dos dias de hoje.

A revista mostra como está cada vez mais fácil para jovens e adolescentes se assumirem como Gays, vivenciarem sua sexualidade de forma aberta e saudável, contando até com o apoio dos pais e o exemplo de famosos que saem do armário a todo momento.

Entre na página da Revista Veja para ler a reportagem completa.

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Plano de saúde terá de aceitar parceiro gay

Plano de saúde terá de aceitar parceiro gay: "A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que as empresas de seguro e planos de saúde do País aceitem como dependentes parceiros de casais homossexuais estáveis. A decisão foi publicada em súmula normativa na edição do dia 4 de maio do Diário Oficial da União.

Segundo a ANS, a determinação leva em consideração normas já existentes no Código Civil e na Constituição, que fala em igualdade de tratamento e 'proibição de discriminações odiosas'. A intenção do órgão responsável pela legislação do setor foi dar mais clareza a regras já existentes.

'Para fins de aplicação à legislação de saúde suplementar, entende-se por companheiro de beneficiário titular de plano privado de assistência à saúde pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo', explica a súmula.

O reconhecimento do direito dos casais homossexual já vinha sendo feito pela Justiça brasileira. Em setembro de 2007, o Tribunal Regional da 1ª Região decidiu por unanimidade que a Fundação de Seguridade Social deveria garantir a inclusão de companheiros homossexuais no plano de saúde.

Dois anos depois foi a vez do Supremo Tribunal Federal (STF) garantir os mesmos direitos aos seus funcionários, que vivem relações homossexuais estáveis. Na época, ficou acertado que a união poderia ser comprovada ao STF Med, plano de saúde dos trabalhadores do órgão.

Em janeiro, o Tribunal de São Paulo obrigou o plano de saúde Omnit a seguir a regra. Na decisão, a Justiça afirmou que disposições legais que protegem a união entre homem e mulher aplicam-se, por analogia, à união estável homossexual.

Mônica Ciarelli / RIO - O Estado de S.Paulo
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100509/not_imp549174,0.php
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sábado, 8 de maio de 2010

Teca



Quinta-feira, por volta das 11h, Teca, minha teckel, foi atropelada e morreu na hora.
Ela estava com o passeador, um rapaz muito responsável, que trabalha com a gente há muitos anos. Ele disse que a Teca se assustou com dois cachorros que vieram em direção deles e se soltou da guia. Eu não quis saber mais detalhes do acidente, porque a única coisa que me importaria era ter minha Tequinha de volta.
Estou sofrendo como não podia imaginar, parece que meu peito virou um buraco.
Teca foi a melhor cachorrinha com quem eu já convivi. Era uma cadelinha perfeita em tudo, linda, educada, amorosa, doce, cheirosa, protetora.
Foi um dos melhores presentes que a vida me deu, minha Tequinha.
A foto dela tomando sol foi a última, tirada na terça. Em uma manhã de sol em que todos estavam tão bem, eu nunca poderia imaginar que era a última foto da minha Tequinha.
Eu e os outros cachorrinhos estamos em uma tristeza inconsolável.
Tequinha viveu tão pouco tempo com a gente, pouco mais de dois anos, mas foi muito amada, todos os dias.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O que está acontecendo com a USP?


A gente sempre imagina que universidades são locais onde pessoas inteligentes e progressistas se reúnem. Mas a USP anda estranha. Depois disto, agora isto:

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO COMUNICA DESATIVAÇÃO DE ABRIGO PARA CÃES

Voluntários que atuam no projeto “USP Convive” reclamam que a decisão não foi discutida. Abandono de animais no campus é problema sério, e grupo de protetores teme que quaisquer mudanças comprometam o bem-estar dos cães atendidos atualmente.

No dia 27 de abril, ao chegar ao abrigo de cães da Universidade de São Paulo, a voluntária responsável pelo tratamento dos 110 animais ali alojados deparou com um banner informando que o canil seria desativado. Nenhuma conversa com a reitoria, nem qualquer outra forma de negociação, antecederam a decisão, que chocou os quase 1600 voluntários atuantes no projeto.

O abrigo para cães nasceu como parte de um projeto mais amplo, o USP Convive, que tinha por objetivo minorar o problema do abandono de animais no campus.

Ao longo de quase uma década, o projeto enfrentou inúmeras dificuldades. Em 2007, ganhou fôlego com o ingresso de um novo grupo de colaboradores, que passou a obter ajudas e doações por meio da Internet. Desde então, graças a mutirões e feirinhas de adoção, foram realizadas a esterilização de 900 animais em comunidades e a realocação de mais de 300 cães, encaminhados para seus novos lares devidamente vacinados, vermifugados, esterilizados e saudáveis. Os detalhes do projeto podem ser visualizados no site http://www.usp.br/convive/, e a atuação do grupo de apoio, denominado Patinhas Online, está resumida no site WWW.patinhasonline.com.br.

Os voluntários precisam de ajuda. Os cães precisam de ajuda. E a Universidade de São Paulo, como polo de produção e disseminação do saber, tem o dever ético de dar um exemplo de civilidade, respeitando não apenas os 110 animais que estão naquele abrigo à espera de um lar, mas também as pessoas que, nesta quase uma década de existência do USP Convive, têm feito sacrifícios e inúmeros esforços para ver o projeto bem-sucedido.

A sociedade cobra uma resposta!

O porta-voz para esta questão é o professor-titular do Instituto de Química da USP Tibor Rabóczkay. Tel. (11) 3091-3889.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A voz dos idiotas


Gosto muito de uma frase que a Cora Ronai costuma dizer: não devemos amplificar a voz dos idiotas.
Como não tenho religião, pouco me importam as bobagens que essa gente fala por aí. Mas achei tão boa a nota da ABGLT sobre a última sandice da igreja católica que não pude deixar de postar aqui.

NOTA OFICIAL DA ABGLT SOBRE DECLARAÇÕES DO VATICANO REFERENTES À HOMOSSEXUALIDADE
(english version below)


A ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – é uma entidade de abrangência nacional, fundada em 1995, que congrega 237 organizações congêneres e tem como objetivo a defesa e promoção da cidadania desses segmentos da população. A ABGLT também é atuante internacionalmente e tem status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas.

Diante da declaração do Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que afirmou nesta segunda-feira (12/04/2010) que é o “homossexualismo” (sic), e não o celibato, que deve ser relacionada à pedofilia, a ABGLT vem a público se manifestar:

A ABGLT deixa claro no seu estatuto que é contra a pedofilia, seja ela praticada por pessoas de qualquer orientação sexual ou identidade de gênero, heterossexuais ou homossexuais. A ABGLT, no seu primeiro Congresso, realizado de 20 a 24 de janeiro de 2005, em Curitiba, Paraná, Brasil, deliberou pela defesa e garantia do estado laico e contra a exploração e abuso sexual de crianças e adolescentes. A ABGLT entende que a pedofilia é um transtorno, conforme a Classificação Internacional de Doenças 10 - F65.4: 302.2, e que o abuso sexual de crianças e adolescentes é crime. A ABGLT mantém uma campanha permanente contra a pedofilia e o abuso sexual de crianças e adolescentes: http://www.abglt.org.br/port/luta_pedofilia.php ;

Diversos estudos sobre a pedofilia e sobre o abuso sexual de crianças e adolescentes apontam que a maioria destes crimes é perpetrada por heterossexuais, sem que isto signifique que a heterossexualidade cause a pedofilia. As questões relacionadas à pedofilia propriamente dita são muita complexas e não podem se reduzir a tão simplista diferenciação baseada na orientação sexual dos agressores. O que surge de fato como tendência nos estudos é que os crimes são praticados especialmente por pessoas que têm proximidade, exercem autoridade e possuem confiança em relação às crianças e aos adolescentes, como pais, familiares, religiosos;

A ABGLT não aceita esta provocação do Vaticano contra as pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT, que não passa de uma tentativa de desviar a atenção do problema maior que se prolifera dentro do seio da Igreja Católica, o qual deve - sim - ser explicado e esclarecido para a sociedade em geral;

A ABGLT defende um Estado Laico e entende que a liberdade religiosa não garante ao Vaticano o direito de julgar com suas próprias leis os seus pares que abusam de crianças e adolescentes. A ABGLT entende que religiosos que cometam crimes de abuso sexual de crianças e adolescentes, além de ter o devido acompanhamento dos serviços de saúde, devem ser submetidos às penas previstas pela lei secular, assim como o restante da população. Assim, a ABGLT se soma às demais instituições de direitos humanos e pede que o Vaticano se explique sobre estes crimes cometidos por sacerdotes católicos, e que não culpe de forma irresponsável a comunidade LGBT;

A ABGLT, diferente dos setores fundamentalistas religiosos, defende a educação sexual para crianças e adolescentes, de tal modo que aprendam a ter autonomia sobre seu corpo, e a se proteger e denunciar abusos dentro de casa, nas igrejas e em qualquer outro lugar;

A ABGLT convoca as organizações profissionais, de direitos humanos e LGBT, nacionais e internacionais, a se pronunciarem sobre o assunto;

A ABGLT espera que o Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, tenha o mínimo de respeito para as famílias das crianças abusadas por padres e bispos da Igreja Católica, e que, ao invés de jogar a culpa de seus escândalos para a comunidade homossexual, reflita sobre o passado e o mal que historicamente a Igreja tem feito aos negros, deficientes, mulheres, judeus, ciganos, homossexuais e crianças e adolescentes em todo o mundo. Será que futuramente a Igreja vai pedir perdão também aos homossexuais por mais este erro que está cometendo agora?

Viva o Estado Laico. Pelo direito da Educação Sexual de crianças e adolescentes, pela punição (conforme as leis seculares) de religiosos que abusam sexualmente de crianças e adolescentes, por uma nova Igreja que respeite os direitos humanos de todos os cidadãos e todas as cidadãs, sem distinção de qualquer natureza.

Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais

OFFICIAL ABGLT POSITION ON VATICAN STATEMENTS ABOUT HOMOSEXUALITY

ABGLT – the Brazilian Lesbian, Gay, Bisexual and Transgender Association – is a national network, founded in 1995, currently having 237 member organizations throughout Brazil. Its mission is to defend and promote the citizenship of these segments of the population. ABGLT is also active on the international scenario and has consultative status with the United Nations Economic and Social Council.

In the face of the statement made by the Vatican’s Secretary of State, Cardinal Tarcisio Bertone, this Monday (12/04/2010) that it is “homosexualism” (sic), and not celibacy, that should be related to pedophilia, ABGLT publicly manifests itself as follows:

In its by-laws, ABGLT makes it clear that it is against pedophilia, regardless of the sexual orientation of gender identity of those who practice it, whether they be heterosexual or homosexual. During its 1st Congress, held on January 20th to 24th 2005, in Curitiba, Paraná, Brazil, ABGLT decided in favour of the defence of the Secular State and against the sexual exploitation and abuse of children and adolescents. It is ABGLT’s understanding that pedophilia is a disorder, as per the International Classification of Diseases 10 - F65.4: 302.2, and that the sexual abuse of children and adolescents is a crime. ABGLT has a permanent campaign on its website against pedophilia and the sexual abuse of children and adolescents: http://www.abglt.org.br/port/luta_pedofilia.php;

Many studies on pedophilia and the sexual abuse of children and adolescents indicate that the majority of these crimes is perpetrated by heterosexual people, without this implying that heterosexuality causes pedophilia. The issues relating to pedophilia itself are very complex and cannot be reduced to a simplistic differentiation based on the sexual orientation of the aggressors. What does arise as a tendency in the studies is that the crimes are committed by people who are close to, hold authority over and count on the trust of the underaged, such as parents, relatives, priests;

ABGLT does not accept this provocation by the Vatican against Lesbian, Gay, Bisexual and Transgender (LGBT) people, which is nothing more than an attempt to draw attention away from the more important problem that proliferates within the bosom of the Catholic Church, and which undoubtedly should be explained and clarified to society in general;

ABGLT defends the Secular State and understands that religious freedom does not give the Vatican the right to judge with its own laws its peers who abuse children and adolescents. ABGLT maintains that ordained people who commit the crime of sexual abuse of children and adolescents, in addition to receiving due healthcare, must be subject to the penalties provided for by secular laws, in the same way as the rest of the population. As such, ABGLT joins other human rights organizations and demands that the Vatican provide an explanation regarding the crimes committed by catholic priests, and that it does not blame the LGBT community in this irresponsible manner;

ABGLT, differently to fundamental religious sectors, defends sexual education for children and adolescents, in order for them to learn to have autonomy over their bodies, and learn to protect themselves from and report abuse at home, in churches, and wherever else it may occur;

ABGLT calls on professional, human rights and LGBT organizations, both national and international, to make pronouncements on this matter;

ABGLT hopes that the Vatican’s Secretary of State, Cardinal Tarcisio Bertone, will be capable of showing the minimum of respect to the families of the children abused by priests and bishops of the Catholic Church, and that, instead of placing the blame of its scandals on the homosexual community, it reflects on the past and on the harm that the Church has historically caused to Black people, the disabled, women, Jews, gypsies, homosexuals and children and adolescents throughout the world. Will the Church, in the future, also ask forgiveness of the homosexual community for yet another injustice it is committing now?

Long live the Secular State. For the right for children and adolescents to have Sexual Education, for the punishment (under secular laws) of ordained people who sexually abuse children and adolescents, for a new Church that respects the human rights of all citizens, indiscriminately.

ABGLT - Brazilian Lesbian, Gay, Bisexual and Transgender Association