sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Espelhos


Ontem a a Subcomissão de Cinema, Teatro, Música e Comunicação Social do Senado realizou uma audiência pública para discutir um projeto de lei totalmente anacônico, que pretende tornar privativas de brasileiros as atividades de "produzir, programar e prover conteúdo brasileiro para distribuição por meio eletrônico, independente das tecnologias utilizadas". Também determina que a gestão de empresas que geram conteúdo audiovisual fica obrigatoriamente a cargo de brasileiros. O descumprimento da lei redundaria no pagamento de multas de até R$ 5 milhões.
Ou seja, se, por exemplo, a Miramax quiser co-produzir um filme do Fernando Meirelles no Brasil, isso seria proibido!!
Apesar do absurdo da lei, algumas frases muito interessantes foram ditas durante o debate. Separei algumas para postar aqui.
Cacá Diegues, Cineasta
- Por que o Brasil nunca cria legislação "positiva" para "incentivar, promover, premiar" e só se fala em "proibir, restringir e regular".
- Por menor que seja, hoje todos os países têm algum tipo de produção audiovisual. Atualmente, com as novas tecnologias, não se pensa mais em produção de conteúdo feita por países e, sim, na criada por segmentos sociais que não se manifestavam antes do surgimento dessas tecnologias.
- Um país sem um audiovisual próprio é como uma casa sem espelho: a gente nunca vai ver o nosso próprio rosto.
- Democracia não é só a liberdade de criar e consumir; é também a oportunidade de produzir e difundir o produto. Uma democracia que permite só a criação e o consumo é uma democracia incompleta. Segmentos da sociedade brasileira estão se manifestando de uma maneira muito explícita, como os morros cariocas, e isso não pode ser podado.

Carlos Alkimim, Diretor executivo da Associação Brasileira de Programadores de Televisão por Assinatura (ABPTA):
- O público não tem discriminação nenhuma de nacionalidade em relação ao que assiste na TV. O que quer é assistir a um bom conteúdo, seja de que nacionalidade for.

Steve Solot, Vice-presidente da Motion Picture Association:
- Antes, o conteúdo era o rei. Hoje em dia o rei é o consumidor. Se o Brasil não oferecer ao consumidor o conteúdo quando e onde o consumidor quiser, o consumidor vai para a pirataria.